Beschreibungen – portugiesisch

A narrativa de intenso vitalismo de Junta-Cadáveres

Máximo Daniel Lamela Adó

Juan Carlos Onetti é um importante nome da narrativa contemporânea, se não, a mais importante rubrica que consta na literatura uruguaia de nosso tempo. Converter em letra os sons, os sabores, os odores, as intenções, os gestos e os movimentos que compõe a aventura vital é, sem dúvida, o prazer que nos oferece a literatura.

A permanência de Onetti

Adelto Gonçalves

De repente, com atraso considerável, o Brasil começa a descobrir o uruguaio Juan Carlos Onetti (1909-1994). De Onetti, filho de mãe brasileira e com nome de origem irlandesa (O´Nety), no Brasil, foram publicados “Juntacadáveres” (Junta-Cadáveres, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1968), “Dejemos hablar al viento” (Deixemos falar o vento, Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1981) e “Tan triste como ella” (Tão triste como ela, São Paulo, Companhia das Letras, 1989), enquanto, em Portugal, saiu “El astillero” (O estaleiro, Lisboa, Edições 70, 1981). Agora, a editora Planeta, de São Paulo, lança “A vida breve” (La vida breve), romance de 1950, e promete para logo a edição brasileira de “O estaleiro”. Muito pouco para quem é considerado um dos maiores nomes da literatura latino-americana do século XX.

A vida breve de Juan Carlos Onetti: Nas vísceras do ser humano

Roberto Pinheiro Machado

Juan Carlos Onetti carrega a marca do existencialismo e da desilusão que assolou o século 20

Numa cidade provinciana, ao Sul de um país provinciano, existem poucas oportunidades para se falar de literatura. Por isso, a conversa que tive há poucos dias foi especialmente marcante. Meu interlocutor era um tipo inteligente. Quando nos apresentaram, descobri que está escrevendo uma tese doutoral sobre Joyce, e que também é músico, toca clarinete. Entre outras coisas, ouvi uma história na qual figuravam dois escritores, um brasileiro e um português, e uma definição acerba da literatura. A definição vinha de Diogo Mainardi, que escrevera que a literatura existe para degradar a humanidade, que quando a humanidade se descobre por demais segura de si, ali está a literatura para degradá-la e colocá-la no seu lugar. O outro escritor na história era Saramago, para quem tal idéia era anátema.

Amarrado a coisas miserveis

Jonas Lopes

Nos contos de Juan Carlos Onetti, os ambientes so quartos escuros, becos imundos, estradas vazias e prostbulos decadente

Andanças de um colecionador de prostitutas pobres

Jaime Cimenti

Juan Carlos Onetti, Prêmio Cervantes de Literatura de 1980, nasceu em julho de 1909 e morreu em 1994. É considerado o maior escritor uruguaio do século XX e um dos maiores em língua espanhola de todos os tempos. Onetti, cuja mãe era de origem brasileira, dividiu seus produtivos 85 anos de vida entre Montevidéu, sua cidade natal, Buenos Aires (onde morou de 1939 a 1941 e de 1943 a 1955) e Madri, onde viveu exilado a partir de 1975. Autodidata rigoroso que nem completou o ensino médio, foi editor do célebre jornal Marcha, funcionário da agência de notícias Reuter, publicitário, diretor da Biblioteca da Prefeitura de Montevidéu e, sobretudo e sempre, grande escritor. Em 1939 publicou El pozo, germe de toda sua produção posterior, que compreende uma larga série de sofisticados contos e romances como A vida breve, publicado no Brasil pela Editora Planeta.

Bordel dos sonhos

Luiza Villaméa

O uruguaio Juan Carlos Onetti apresenta trama familiar aos brasileiros na obra Junta-cadáveres

Santa Maria é uma cidade fictícia que ambienta várias obras de seu criador, o escritor uruguaio Juan Carlos Onetti (1909-1994). De relance, ela se parece com muitas outras pequenas cidades. Em profundidade, ganha caráter universal. No atual cenário político brasileiro, poderia até ser apresentada com o aviso de que qualquer semelhança com a realidade não passa de mera coincidência. Povoada por personagens instigantes, entre eles políticos corruptos e garotas de programa, Santa Maria já estava formada em 1950, na obra A vida breve, publicada no passado, no Brasil, pela Planeta. A mesma editora acaba de lançar o romance Junta-cadáveres (320 págs., R$ 39,90).

Comédia da vida provinciana: Os contos completos de Juan Carlos Onetti, uma das vozes mais originais da ficção latino-americana

Miguel Sanches Neto

Mais conhecido como o romancista de A Vida Breve (1950) e Junta-Cadáveres (1964), o uruguaio Juan Carlos Onetti (1909-1994) foi também um primoroso contista. Essa outra face pode ser conhecida com a edição em português de sua obra completa nesse formato, 47 Contos (tradução de Josely Vianna Baptista; Companhia das Letras; 442 páginas; 42 reais).

Juan Carlos Onetti (1909 - 1994)

Reanto Roschel

O escritor uruguaio Juan Carlos Onetti morreu no dia 30 de maio de 1994 em um hospital de Madri às 13h, hora local. Onetti sofria de problemas hepáticos e há dez anos não saía da cama. Segundo seus familiares, o escritor morreu de parada cardíaca.

Onetti nasceu em Montevidéu no dia 1º de julho de 1909.

Viveu na Espanha desde 1975, onde se exilou depois de ser preso pelo regime militar uruguaio. Segundo o escritor Eric Nepomuceno, Onetti chegou à Espanha “abatido e querendo tranqüilidade. Vinha de uma temporada de horrores no Uruguai, primeiro num cárcere e depois num manicômio. Instalou-se em Madri, e lá ficou até o fim. Seu último livro, uma novela densa e tortuosa chamada ‘Quando Ya No Importe’, estacionou durante várias semanas nas listas dos livros mais vendidos na Espanha, do México e da América do Sul. O título abriga uma ironia dilacerante, bem ao gosto de Onetti”.

Juan Carlos Onetti (1909-1994)

Nina Atalla

"Onetti viveu exilado do mundo. Nos tempos de Montevidéu, passou um período dirigindo as bibliotecas de um setor público que não tinha bibliotecas. Viveu sempre paixões avassaladoras e, quando não havia nenhuma, inventava ou lembrava. Foi um mestre exemplar.

Juan Carlos Onetti, o narrador de pesadelos

Ivan Schmidt

O jornalista, publicitrio e, acima de tudo, sempre escritor, Juan Carlos Onetti (1909-1994), nascido em Montevidu, Uruguai (sua me era de Quara, RS, na fronteira com a Argentina), falecido em Madri, menos conhecido no Brasil do que deveria, apesar de seus livros terem sido traduzidos e publicados em lngua portuguesa j no incio da dcada de 80.

Juan Carlos Onetti: Junta-cadáveres

Gustavo Kovacs

Neste livro de 1964, novamente o uruguaio Juan Carlos Onetti (1909 - 1994) utiliza-se da cidade fictícia de Santa María para narrar os atos desesperados de seus personagens, sempre fracassados e sem rumo.

Juan Carlos Onetti: Porque escrevo

José Domingos De Brito

"Para mim, escrever foi sempre uma necessidade, e tive sempre a necessidade do amor. Por isso tenho esses períodos no quais estou tão absorvido por uma menina que não escrevo, porque prefiro o amor. E há momentos, que podem durar anos, que prefiro escrever. Se não houvesse mulheres no mundo, teria escrito o dobro do que escrevi".
Fonte: Leia, junho de 1990

Juan Carlos Onetti

Nasceu em 1909, em Montevidéu, Uruguai. Romancista, cosiderado um dos maiores escritores latino-americanos do século. Teve uma adolescência e juventude repleta de aventuras. Fugiu de casa aos 14 anos, foi garçom e exerceu diversas atividades para sobreviver. Em Buenos Aires foi parceiro de Carlos Gardel em algumas composições de tango. Avesso à badalações literárias e jornalistas, quando vivia em Montevidéu colocava uma placa na porta, onde se lia: "Já volto" e permancia em casa livre de visitas. Seu primeiro livro: O Poço é de 1938. No Brasil, seus livros mais conhecidos são Junta-Cadáveres (164) e Tão Triste Como Ela (1963). Em 1980, ganhou o Prêmio Cervantes de Literatura. Outros livros destacados em sua obra: Tierra de Nadie (1942), La Vida Breve (1950), Una Tumba Sin Nombre (1959), Cuando, Entonces (1990), etc. Onetti vive num exílio voluntário em madrid, desde 1975, em companhia de sua mulher.

Juan Carlos Onetti: Tão Triste Como Ela

Láudano

Estou desde a páscoa em Porto Alegre, organizando o que havia ficado para trás na vida. Reencontro a cidade meio suja e em alguma medida, já diferente da cidade que deixei pra trás. Reabro minhas caixas de livros – quase nenhum deles foi comigo para São Paulo – e reencontro meus preferidos, Borges, Onetti, Lautréamont, meus volumes raros, cada um com sua história, que vou relembrando à medida que os vou abrindo.

Hoje releio um dos livros que foi o mais difícil de encontrar nos sebos e livrarias que conheci. Não compro livros pela Internet: nada substitui o prazer de encontrar um livro que você quer, folheá-lo, observar o estado da edição, conversar com o livreiro, regatear no preço, procurar alguma eventual indicação, encontrar algo absolutamente diferente do que se estava procurando. Certo, é um micro-prazer primitivo, demorado e patético, mas cada um tem seus vícios e este é um dos meus. Nenhuma Amazon é capaz de me comover dessa maneira.

Junta-Cadáveres é reeditado

Há um quarto de século Flávio Moreira da Costa traduziu Junta-Cadáveres (para a editora Civilização Brasileira), essa perturbadora novela do uruguaio Juan Carlos Onetti (1909-1994). Junta-Cadáveres ainda hoje pode ser lida como uma alegoria do continente sul-americano, contaminado pela corrupção e obcecado pelo bordel. Justamente quando o Brasil olha seu reflexo distorcido nesse espelho, com mensalão, malas de dinheiro, depósitos ilícitos e suspeitas festinhas de políticos, Junta-Cadáveres (Planeta, 320 págs, R$ 39,90) volta em nova tradução, de Luís Reyes Gil.
A nova edição traz como bônus um prefácio esclarecedor de Francisco Dantas, em que o escritor sergipano (de Sob o Peso das Sombras) destaca o papel de Faulkner como "mestre reverenciado de Onetti".

Monegal, leitor de Onetti*

Walter Carlos Costa

A ficção de Juan Carlos Onetti, embora nunca tenha sido um sucesso de vendas, teve um reconhecimento quase imediato entre a crítica e os jovens escritores de seu Uruguai natal, em seguida na Argentina e logo depois na América de língua espanhola.

Montevidéu homenageia Juan Carlos Onetti com placa

MONTEVIDÉU, 26 ABR (ANSA) - Uma placa de homenagem à memória do escritor uruguaio Juan Carlos Onetti, morto há 14 anos na Espanha, foi lançada pela prefeitura de Montevidéu em frente à antiga casa do escritor, no bairro de Palermo, próximo ao centro da cidade.

Onetti: Clássio latino-americano de 1961, "O Estaleiro" constrói um mundo hostil a partir de lances de linguagem

Cristovão Tezza

O nome do uruguaio Juan Carlos Onetti (1909-94), autor de uma obra vasta e respeitada, não chegou a conhecer a popularidade de outros latino-americanos que, no rastro do impacto de "Cem Anos de Solidão" [ed. Record], de Gabriel García Márquez, nos anos 1960, fizeram da América espanhola um centro de referência literária em que brilharam, além de Márquez, Vargas Llosa, Borges e Cortázar, para lembrar as estrelas que ganharam o mundo.

Os planos de fuga de Onetti

Samuel Titan Jr.

Depois de A Vida Breve, o autor dos personagens à deriva tem seus 47 Contos vertidos para o português

Para Vargas Llosa, escritor uruguaio Juan Carlos Onetti não foi reconhecido

Agencia ANSA

O escritor peruano Mario Vargas Llosa considerou que a obra do uruguaio Juan Carlos Onetti (1909-1994) ainda não obteve o reconhecimento que merece e disse que pode viajar, em breve, a Montevidéu para apresentar seu ensaio sobre o autor, "El viaje a la ficción".

Tão triste como Onetti

Daniel Piza

Há alguns dias, antes de o sol voltar a tomar conta de tudo com sua costumeira indelicadeza, enquanto a garoa incessante do início do ano tamborilava na folhagem do jardim, entre uma música de Tom Waits e outra do Madredeus, cantada por essa extraordinária Teresa Salgueiro que está fazendo show em São Paulo, tive a companhia perfeita dos 47 Contos de Juan Carlos Onetti (Companhia das Letras).